O Movimento Negro Unificado (MNU) será homenageado na Alepe por seus 40 anos

                                           Foto: Rafael Furtado

Um dia para relembrar Zumbi, Dandara e tantos homens e mulheres, famosos e anônimos, que escreveram e escrevem a história de luta por igualdade racial e contra o preconceito, além de alertar para tantos outros sobre direitos. Nesta terça (20), Dia Nacional da Consciência Negra, o Recife terá várias programações para debater os desafios e dar visibilidade à resistência contra o racismo em várias esferas. Alguns dos pontos altos são serviços e debates ofertados no Pátio de São Pedro durante todo o dia; a marcha da capoeira, que sairá, às 14h, do Marco Zero da Cidade; e a sessão solene pelos 40 anos do Movimento Negro Unificado (MNU), na Assembleia Legislativa, às 18h, puxada pelo deputado Isaltino Nascimento (PSB). 

Segundo o IBGE, mais de 60% da população pernambucana é composta por pretos e pardos. A Rede de Mulheres Negras de Pernambuco também prepara um manifesto que será divulgado nesta terça. 

“O MNU é uma das organizações mais importantes de movimento negro da história do País. Suas quatro décadas de atuação é algo que deve ser reconhecido como de fundamental nesta resistência. O Brasil é um País profundamente racista, profundamente desigual. Durante muitos anos o Movimento Negro Unificado e algumas outras organizações faziam de forma isolada a denúncia do racismo que o Estado Brasileiro negava e insistia dizer que vivíamos numa democracia racial, que não existe”, destacou a representante da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, Mônica Oliveira. 

Na pauta do MNU, estavam sempre às buscas por respostas do governo e da sociedade para a violência contra a população negra, sobre a exploração da força de trabalho, o racismo institucional, a hipersexualização das mulheres e as agressões contra as religiões de matriz africana. Olhando para o passado, vivendo a batalha do dia a dia e racionalizando os desafios do futuro, a representante do MNU, Marta Almeida, está cautelosa sobre novos rumos na luta por igualdade racial no cenário político e social. “Vamos ver como ficará o cenário para os próximos anos. Temos que garantir nossas conquistas como a Secretaria Nacional, o nosso estatuto, o Conselho Nacional de Promoção de Igualdade Racial. Precisamos manter essas políticas no âmbito nacional. Aqui no Estado nossa perspectiva é interiorizar nossas ações, articular e fortalecer os municípios”, reforçou. 

Esse engajamento para fortalecimento da população negra também é o mote do projeto “Mulheres Negras Empoderadas”, desenvolvido pelo Consulado Britânico, no Recife. O projeto vem reunindo jovens e adultas negras em torno de cinco workshops em parceria com a organização social Politiquê, o Grupo Mulher Maravilha, a Rede de Mulheres Negras de Pernambuco, a advogada Madalena Rodrigues e a cientista social Camila Mendes, para torná-las multiplicadoras desse empoderamento. Neste fim de semana acontece o último encontro.

Programação

A partir das 8h, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) realiza o VII Encontro Estadual sobre Saúde da População Negra. O objetivo é refletir sobre o processo de implementação da Política de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme, de 2005, e a Política de Saúde Integral da População Negra, de 2009. O encontro ocorre no auditório da SES, no bairro do Bongi, até as 14h. Já no Pátio de São Pedro, a Prefeitura do Recife, promove a partir das 9h até as 18h atividades como Feira Afroempreendedora, serviços de saúde, Oficina de Dança Afro e oficina sobre cuidados com o Cabelo crespo e cacheado e maquiagem.

Deixe uma resposta