Além dos danos causados à rede elétrica, incidentes aumentam o risco de choques fatais

                                         Foto: Arthur de Souza

Apenas em 2018, mais de 600 mil pessoas ficaram sem luz por causa de interrupções no sistema de fornecimento elétrico causadas por pipas. O número, divulgado pela Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), é 30% maior que o total registrado em 2017, o que reforça a necessidade de alertar a população sobre os perigos e transtornos causados pelas pipas. Possivelmente, o aumento tem a ver com o tempo menos chuvoso em 2018. O levantamento da Celpe mostra que foram mais de 1,2 mil intercorrências em oito meses – até agosto de 2018 -, uma alta de 32% com relação ao mesmo período do ano passado. 

De acordo com a companhia, as equipes de manutenção foram acionadas em 903 situações do tipo. Gerente de Operações daCelpe, Fábio Barros diz que a potência do choque depende de diversos fatores, como se a linha tinha ou não cerol, e se estava chovendo no momento. “De toda forma, o impacto pode levar o condutor ao chão. Qualquer choque pode ser fatal”, diz. 

Um dos exemplos dos transtornos causados por pipas aconteceu no último dia 18 de setembro, quando uma afetou o abastecimento de energia do bairro do Pina, na Zona Sul do Recife, deixando mais de 25 mil pessoas sem energia, além do comércio da área, por duas horas. “Esse evento chegou a danificar parte da rede, e foi necessário fazer essa reparação para depois reenergizar o circuito. Geralmente ocorre rompimento de fio ou dano a algum equipamento da rede”, comentou Barros. 

O alerta é reforçado contra linhas de pipas quem tenham cerol aplicado: o produto aumenta o risco de choque elétrico, já que pode conter raspas de vidro e pó metálico, tornando o fio da pipa um condutor de eletricidade. As pipas podem ainda provocar curto-circuito ao se enroscarem nos fios elétricos, podendo provocar até rompimento de cabos. Entre as recomendações da Celpe (veja arte), estão a importância de se empinar pipas apenas em áreas livres, longe dos fios, e nunca tentar retirar um fio preso às estruturas da rede de distribuição. 

De acordo com Barros, uma vez identificado, é possível que o culpado pelo dano tenha que arcar com o prejuízo causado, mas é difícil que isso aconteça. “Em geral, são crianças e adolescentes que fogem logo que veem o curto-circuito. Por isso, nossa maior preocupação é com a segurança dessas comunidades, uma vez que o choque pode ser fatal”.

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