Lucas Allan Callou, 14 anos, aguarda por um transplante de fígado desde agosto

Lucas Allan Callou, 14 anos, aguarda por um transplante de fígado desde agostoFoto: Rafael Furtado

Pernambuco contabilizou nos primeiros oito meses deste ano 122 autorizações de familiares que doaram órgãos/tecidos de entes queridos contra 105 que recusaram. Já em todo o ano de 2017, foram 341 entrevistas com familiares, com 188 autorizações e 150 negativas. O gesto de doação se refletiu, apenas em 2018, em 1.129 transplantes de órgãos sólidos (coração, rim, pâncreas e fígado) e de tecido (medula óssea e córnea). Contudo 1.067 pessoas ainda permanecem na fila por um órgão. Esse dado representa uma diminuição de 9% no número de transplantes em relação ao mesmo período em 2017, que foi de 1.241 procedimentos. Hoje, Dia Nacional da Doação de Órgãos, é data da visibilidade ao tema e seus desafios. 

Dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) apontam que aproximadamente 33 mil pessoas aguardam algum tipo de transplante no País e, de cada oito potenciais doadores de órgãos, apenas um é notificado. Um dos grandes desafios enfrentados ainda é a recusa da família. Autorizações por escrito não são mais válidas – há a necessidade de um consentimento de um parente para que a pessoa se torne uma doadora de órgãos. “É importante que nós conversemos com nossos familiares para expor, ainda em vida, nosso desejo de ser doador de órgãos e tecidos, já que a autorização no Brasil deve ser feita por um familiar de até segundo grau”, destacou a coordenadora da Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE), Noemy Gomes. 

Em Pernambuco, o órgão mais procurado é o rim, com um total de 794 pessoas na fila de espera. Entre janeiro e agosto, foram efetivados 315  transplantes desse órgão. O quantitativo representa um índice 22% maior do que o mesmo período de 2017. Depois do rim, os órgãos com maior número de pacientes em fila são dos que aguardam um fígado (117 indivíduos), tecido da córnea (111), medula óssea (29), coração (11) e rim/pâncreas (5). 

O jovem Lucas Allan Callou, 14 anos, sofre de uma síndrome hepatopulmonar que causa uma má formação no fígado. O adolescente é de Terra Nova, município do Sertão, que fica a cerca de sete horas da Capital. O adolescente está à espera de um novo fígado desde agosto deste ano. “Por enquanto não temos previsão, mas eu estou na fila de espera do Imip e por causa do meu tipo sanguíneo, A positivo, sou o primeiro na lista e no Estado estou em sexto. Mas a qualquer momento que surgir um fígado compatível comigo, eu poderei ser transplantado”, contou. 

Quando há um alerta de possibilidade de doação, o processo tem que ocorrer o mais rápido possível, pois ele deve respeitar o tempo limite de sobrevida de um órgão, que pode variar. Um coração pode ficar parado por até quatro horas, já um fígado resiste até 12 horas e um rim aguenta 36 horas. O processo de transplantar um órgão também vai muito, além de garantir que ele chegue em boas condições e que seja realizada com sucesso a cirurgia. 

No Brasil, de acordo com o último levantamento da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), via Registro Brasileiro de Transplante (RBT), a quantidade de transplantes realizados no Brasil durante o primeiro semestre de 2018 teve um aumento em comparação ao mesmo período de 2017 de 1,7%. Em relação a 2016 comparando com o ano passado, o aumento foi de 3,5%. O aposentado João Francisco Correia, 68, recebeu um transplante de coração em 2015. “Eu nunca pensei que chegaria esse momento, mas ele chegou. Sempre incentivo as pessoas a serem doadores para salvarem mais uma vida”, ressaltou.

Deixe uma resposta