Jussara Rodrigues e o filho mais velho do casal, Danilo Paes, estão presos temporariamente

Jussara Rodrigues e o filho mais velho do casal, Danilo Paes, estão presos temporariamenteFoto: Rafael Furtado

Às vésperas do seu desaparecimento, no dia 31 de maio deste ano, o médico cardiologista e advogado Denirson Paes da Silvaconversou com o filho caçula, Daniel Paes, sobre o fim do casamento com a farmacêutica Jussara Rodrigues e a mudança para um apartamento. Os detalhes daquele dia constam no depoimento que o rapaz, de 20 anos, prestou à polícia ainda na madrugada do dia 5 de junho, pouco tempo depois que o corpo do médico foi encontrado em uma cacimba de 25 metros de profundidade na casa da família, em Aldeia, município de Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. À polícia, Daniel contou que o médico o convidou para morar com ele e que a conversa “foi amistosa e em tom de despedida”, que ficou preocupado com o sumiço de Denirson, mas que pensou “que, enfim, seu pai teria achado tempo para si e para aproveitar a vida”.

O rapaz foi ainda questionado sobre a suposta viagem deDenirson. Sobre isso, Daniel respondeu que “chegou a comentar com sua mãe sobre a possibilidade do pai estar na Rússia”, mas que Jussara teria descartado a sugestão. No entanto, quando prestou Boletim de Ocorrência (BO) pelo desaparecimento do marido, Jussara relatou que o médico teria viajado para os Estados Unidos, com retorno programado para o dia 10 de junho, mas que “talvez estenderia a viagem até a Rússia, para ver a Copa do Mundo”. Jussara e o filho mais velho do casal, Danilo Paes, de 23 anos, estão presos temporariamente, suspeitos pelo assassinato e pela ocultação do cadáver de Denirson. Chama ainda atenção no depoimento que Daniel descreve o irmão mais velho como “pouco sociável” e informa que Danilo “apresenta diagnóstico de fobia social” diagnosticada por um psiquiatra e que ele vinha se comportando “de maneira impaciente”.

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Isso, disse Daniel, tinha relação com o momento profissional do irmão – recém formado em engenharia civil pela UFPE e ainda desempregado. “O deprimia a ponto de tomar medicamentos para depressão e compulsão prescritos por um psiquiatra”, registrou o depoimento. A informação converge com o que levantou o advogado de defesa de mãe e filho, Alexandre Oliveira, e foi publicado pela Folha de Pernambuco na última terça: um psiquiatra, que terá seu nome resguardado, prescreveu medicamentos como Cloridrato de Trazodoma, Cloridrato de Veniafaxina e Oxalato de Escitalopran, todos antidepressivos. A defesa deverá buscar o diagnóstico psiquiátrico e, se for o caso, incluirá nos autos do processo.

Nessa terça (10), Oliveira informou que, enfim, conseguiu comprovar que Danilo tem curso superior e garantir que o rapaz fosse encaminhado para a cela especial a que tem direito. A defesa também entrou com pedido de habeas corpus para Danilo e Jussara, argumentando que a prisão temporária deles – que “nunca foram presos ou processados e nunca foram apreendidos quando menores de idade”, que “são réus primários, têm bons antecedentes criminais, têm boa conduta social, têm residência fixas, não se dedicam a atividades criminosas e nem integram organização criminosa” – é “manifestamente ilegal”. O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) deve se manifestar hoje sobre o pedido da defesa.

Boletim de Ocorrência

Vinte dias depois, em 20 de junho, Jussara e a irmã do médico, Cleonice Paes da Silva, foram à Delegacia de Camaragibe para registrar boletim de ocorrência pelo desaparecimento do médico. Chama atenção o fato de que o registro indica que a farmacêutica levou o passaporte de Denirson para a Delegacia, que foi usado para geração da ocorrência. Parentes confirmaram à reportagem que Cleonice acompanhou a cunhada à delegacia, naquele dia, e que Jussara teria resistido a prestar queixa pelo desaparecimento de Denirson, alegando que poderia prejudicar o médico no trabalho. Então, o filho caçula do casal, Daniel, teria dado o ultimato: se a mãe não procurasse a polícia, ele iria. A família do médico desconfiou do sumiço, mas não cogitava que Danilo e Jussara pudessem estar envolvidos. “A suspeita da polícia pegou todo mundo de surpresa”.

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