Tite

                                             Tite Foto: Christophe Simon/AFP

O torcedor brasileiro que gosta de futebol ainda assiste aos jogos que restam da Copa do Mundo, da Rússia, com aquele gostinho de quero mais. De que era possível o Brasil ser campeão. E era. Mesmo com todas as limitações, a Seleção Brasileira poderia até ser campeã numa competição até agora pobre tecnicamente e sem um nítido protagonista nas quatro seleções que vão disputar as semifinais a partir desta terça-feira. A Inglaterra tem Harry Kane, a França, Mbappé; a Croácia, Modric; a Bélgica, Hazard e De Bruyne. Num passado mais recente, a França teve Zidane, a Alemanha, Matthaus; o Brasil, Ronaldo. O nível era bem mais alto.

O protagonista poderá surgir nos jogos finais. Vamos aguardar. Mas por enquanto, ele não está claro. Mas o que é nítido é o jogo de equipe, a força da marcação, das duas linhas de quatro atrás da linha da bola, os contra-ataques e a bola parada, esta última, sim, tem sido a grande vedete desta Copa do Mundo. Nas bolas paradas os jogos são definidos, como a França, quando abriu o placar diante do Uruguai, ou a Bélgica diante do Brasil naquele gol contra de Fernandinho que até hoje está doendo nos corações verde-amarelos.

Os teorícos e práticos da bola ainda discutem de quem é a culpa pelo fiasco brasileiro. Pra mim, o dono da culpa é Tite, o comandante que atraiu para si todos os louros da boa campanha nas eliminatórias, quando o Brasil liderou e ele não fazia nenhuma questão de assumir que era o senhor da “revolução” na Canarinho. Dono de ótima fluência verbal, Tite mostrou-se sempre um cavalheiro no trato com a imprensa, é verdade, mas também nunca abriu mão de suas convicções, a principal delas é de que ele assumiu o compromisso de levar aquele grupo das eliminatórias para a Copa custasse o que custasse… E essa promessa nos custou caro e a ele também. Foi incapaz de, como comandante, fazer uma reavaliação do grupo, de medir as consequências e o alcance de suas decisões diante das dificuldades que se apresentariam numa Copa do Mundo. Podemos dizer que Tite possui uma “polida arrogância”.

Tite fechou os olhos para os jogadores revelados no futebol brasileiro nos últimos dois anos, Luan, Paquetá, Arthur, Vinícius Jr. A Seleção tem grande carência de um meia armador, alguém que segure a bola, que dite o ritmo do jogo. Esse jogador apareceu no Grêmio. É Arthur, contratado pelo Barcelona para substituir Andres Iniesta. Nós precisávamos de jogadores velozes e habilidosos, capazes de desmontar uma defesa com um drible, como Vinícius Júnior, do Flamengo. Mas o treinador brasileiro não quis saber. A opção por levar Fred visivelmente fora de forma foi quase uma pá de cal nas suas ambições a partir do momento em que Casemiro levou o segundo cartão amarelo contra o México. Temendo escalar um jogador fora de forma, voltando de contusão, ele optou por Fernandinho para a cabeça da área, e esta não é exatamente a posição dele. Fernandinho foi atropelado por Lukaku e ficou perdido em campo.

Por seu verniz nas entrevistas e jogo de cintura no trato com a imprensa, Tite tem apoio dos “donos da comunicação” para ser mantido no cargo. Por mim, ele sairia. O argumento de que ele pode fazer trabalho melhor em quatro anos é um gordo engodo. Felipão assumiu o Brasil em junho de 2001 e um ano depois já era campeão do mundo. Naquele ano, ele fez apenas o simples. Chamou os melhores e até o desconhecido Kleberson, do Atlético/PR, teve vez e ganhou a posição da “estrela” Juninho Paulista durante a Copa para dar o passe que Ronaldo aproveitou para fazer o segundo gol na Alemanha, na final.
Aliás, talvez com menos tempo, seja até algo favorável para os treinadores no caso do Brasil. Por que o mesmo Felipão, em 2012, voltou à Seleção, ganhou a Copa das Confederações, e resolveu fazer o mesmo acordo com aqueles jogadores campeões do torneio preliminar do Mundial. Esqueceu de renovar a equipe no ano seguinte e o resultado foi o desastre dos 7×1. Com a queda na Rússia, o jejum vai para 20 anos, e as bolas paradas continuam sendo o calcanhar de aquiles da Seleção. Nas últimas cinco Copas, perdemos assim em quatro.

De protagonista a…

Para não dizer que não falei de Neymar, digo apenas que não se pode esperar que ele faça tudo na Seleção. Jogar a responsabilidade na costas dele seria injusto. Lembro apenas que ele foi à Copa como principal jogador do PSG e que, dependendo do que Mbappé fizer nesta fase final, Neymar poderá se apresentar em Paris neste segundo semestre como um mero coadjuvante do clube francês.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *