Para este ano, o desafio  será subir para os 95% o  percentual de vacinação contra pólio no Estado

Para este ano, o desafio será subir para os 95% o percentual de vacinação contra pólio no EstadoFoto: Bruno Campos/Arquivo Folha

A coordenação estadual do Programa Nacional de Imunização(PNI) solicitou uma revisão dos bancos de dados da imunizaçãode poliomielite de 2018 e indicou que os municípios que estão com baixo percentual de vacinação para a doença façam uma busca ativa de crianças que podem estar sem a proteção. As medidas foram tomadas depois que um relatório do Ministério da Saúde (MS) apontou nacionalmente que várias cidades estariam aquém da meta de imunização, que é de 95%, no ano passado, o que representaria risco de reintrodução da enfermidade no Brasil.

Em Pernambuco, cinco municípios foram elencados com índice abaixo de 50%: Cortês e Palmares, na Mata Sul; Frei Miguelinho e Correntes, no Agreste; e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Segundo essas prefeituras, a má avaliação é reflexo de desconformidades no sistema de inserção de dados e os percentuais acabaram sendo consolidados sem a real situação das cidades.

“Essas notícias que vêm sendo veiculadas não refletem a realidade da cobertura vacinal do nosso município. O que houve foi uma falha da implantação do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização (SI-PNI), que foi comunicado à 3ª Gerência Regional de Saúde e ao Ministério da Saúde. A nossa cobertura hoje é superior a 60%, conforme nossos livros de registro”, justificou o secretário de Saúde de Cortês, Pedro Oliveira. Ele confirmou que a busca pela imunização ainda está abaixo do ideal e, por isso, está reforçando com as mães a atualização do cartão, não descartando a realização de uma busca ativa nas comunidades.

Em Jaboatão, a superintendente de Vigilância em Saúde, Vânia Freitas, também relatou problemas na transferência de dados do município para o MS. “A pessoa digita e ele não é cumulativo. Quando você faz a transferência [de dados] de um mês para outros e, porventura, deixou de digitar alguma coisa no mês anterior, ele não entra no mês posterior. Não entra no sistema de informação do ministério, o que acaba gerando problema de registro”, comentou. Vânia informou que a cidade já começou a revisar os registros depólio dos seis primeiros meses de 2018, a convocar os pais de crianças na faixa alvo da imunização e levará a imunização para as creches nos próximos dias.

Em Correntes, a secretária de saúde Maria Lúcia Santos também reclamou da forma de alimentação do sistema e informou que mais de 90% do grupo alvo foi vacinado em 2017. Já o secretário de Saúde de Frei Miguelinho, José Luiz, contabilizou que a imunização de pólio na cidade foi superior a 100%. “Passamos o dia trabalhando nesses dados. Fizemos uma revisão nos cartões de vacina um a um. constatamos apenas falha no sistema de informação. Tínhamos 133 crianças nessa faixa da vacina e conseguimos vacinar 149 crianças, porque, às vezes, vem alguém de outro município”, justificou.

A coordenadora estadual do PNI, Ana Catarina de Melo, comentou que os dados de vacinação de 2017 já não podem mais ser inseridos. “Todos os municípios do Estado foram comunicados desde dezembro que o sistema de 2017 finalizaria em 30 de abril [de 2018]. O ano de 2017, que é essa base de análise que o MS fez, não tem mais como ser ajustado. Todo mundo sabe que a vacina é feita mensalmente e os registros devem ser mensais. O município tem até o 5ª dia útil seguinte para lançar no sistema. Mesmo assim, acreditamos que há sim falha no registro, ou seja, criança com vacina, mas sem registro”, enfatizou.

Em 2017, o percentual de vacinação de pólio no Estado foi de 82%. Para este ano, o desafio será subir para os 95% ou mais, principalmente com este alerta dado pelos números passados. Uma campanha nacional será deflagrada de 6 a 24 de agosto, com o “Dia D” no dia 18.

O Ministério da Saúde esclareceu que estados e municípios devem manter o SI-PNI devidamente atualizado para que a pasta tenha a real situação das coberturas das vacinas. Caso haja divergência nos dados, disse, cabe aos gestores locais informar ao Ministério da Saúde para a correção de possíveis erros.

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