Torcedores acompanham jogos do Brasil

Torcedores acompanham jogos do BrasilFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

A regra é clara: de graça é melhor. No caso das transmissões de TV, especialmente em época de Copa do Mundo, isso significa preciosos segundos de diferença entre o grito de gol do seu vizinho e o seu. Para entender o atraso entre os diferentes tipos de tecnologia empregados, a Folha de S. Paulo realizou uma experiência na casa de uma torcedora infeliz.

“Aqui na sala de casa está impossível de assistir. A vizinhança grita antes de tudo acontecer“, diz a fotógrafa Lucia Mindlin Loeb, comentando um aparente paradoxo temporal. Além da transmissão pela Globo por meio de serviço de TV paga que a torcedora já possuía, a reportagem conectou uma segunda televisão em uma antena externa -reproduzindo o que muitas pessoas possuem em apartamentos com antenas coletivas. Esse segundo aparelho foi sintonizado na TV Globo aberta.

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Além disso, um iPad e um computador foram conectados, via wi-fi, na Globoplay, serviço de streaming da mesma empresa. Todas as telas passavam o mesmo jogo, França x Dinamarca, mas as imagens que se viam eram muito diferentes. A TV aberta é a que traz a transmissão mais rápida. Entre quatro e cinco segundos depois, chegam as mesmas imagens na TV paga. E, pela internet, o tablet e o computador se alternavam, entre 15 e 20 segundos atrás da TV aberta.

“Nenhuma surpresa aí”, atesta o diretor de tecnologia da Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert), Luiz Carlos Abrahão. “A TV é transmitida para a antena da avenida Paulista, por exemplo, ao mesmo tempo em que o sinal fica disponível para as empresas de TV paga. Então, as empresas irão levar esse sinal para suas sedes, cada um por uma forma, e depois encaminhá-las para os assinantes, seja por fibra ótica ou satélite. Daí o delay de alguns segundos.”

Além do trajeto maior, diz Abrahão, o atraso ocorre porque o sinal é codificado e decodificado em cada uma dessas pontas. O fato de a Copa estar ocorrendo na Rússia não muda nada. Tudo chega por fibra óptica –através do continente europeu e por cabos submarinos no Atlântico- na sede da Globo no Rio e só então a distribuição nacional começa.

Sem entrar em tantos detalhes, o departamento de comunicação da Globo respondeu à questão “Por que o gol chega mais rápido na TV aberta do que na TV paga?” da seguinte forma: “O tempo de transmissão da imagem que chega para o público depende de inúmeros fatores, como as etapas de processamento do sinal. A distribuição do sinal é influenciada, ainda, pela localidade, pela operadora de TV utilizada, pela plataforma em que se está assistindo, pela velocidade da internet -no caso do streaming-, apenas para citar algumas dessas variáveis. Na Globo, investimos constantemente para que a experiência do público seja a melhor possível, em todas as nossas janelas de exibição”.

Moradora da Vila Buarque, na região central de São Paulo, a designer Andrea Kulpas disse que se sentiu obrigada a ir para a casa de amigos no último jogo do Brasil, na tarde de quarta-feira (27). “Me sinto traída. Estou pagando e parece que estou vendo um VT. Aqui tem um bar em frente e é uma depressão assistir ao jogo assim.”

Ficando em casa, quando é gol, ela sabe antes que o centroavante receba a bola. Quando é lance perigoso, ela ouve um “uhhh” e já descobre que não será gol. “A gente ia cancelar o serviço antes da Copa. Resolvemos esperar justamente para assistir aos jogos”, reclama.

A situação movimentou o mercado de antenas na mais tradicional rua de comércio eletrônico de São Paulo, a Santa Efigênia. A loja Ponto das Antenas filiais parece ser a meca do momento. “A procura dobrou”, conta o vendedor Gilson Santos, que oferece kits de conversor digital com antena a partir de R$ 98. São vendidos cerca de 70 kits por dia, diz ele. “E, quando o Brasil ganha, a procura aumenta“, comemora.

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