Hábito de fumar ainda abrange um em cada dez brasileiros que vivem nas capitais do País

Hábito de fumar ainda abrange um em cada dez brasileiros que vivem nas capitais do País Foto: André Nery/Arquivo Folha

Nesta quinta-feira (31) é lembrado o Dia Mundial sem Tabaco. Foco de atenção em vários âmbitos, o fumo ainda é um dos principais desafios da saúde pública no Brasil e no planeta. No mundo, sete milhões de pessoas morrem, anualmente, devido ao tabagismo, sendo dessas 890 mil fumantes passivas. No País, foi verificado que 428 pessoas vêm a óbito por dia, ou seja, mais de 155 mil a cada ano.

Vilão principal para vários tipos de câncer, o produto também é responsável pelo aumento do risco de doenças cardíacas. Os perigos cardiovasculares são o mote da campanha nacional de 2018 contra o cigarro. Apesar dos alertas recorrentes, comportamentos de risco ainda se multiplicam envelopados em mitos. Um dos mais curiosos verificados pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) verificou é que 21% de fumantes ou ex-fumantes creem que existe um limite seguro de consumo.

Dados inéditos do Ministério da Saúde apontam que a frequência do consumo do tabaco entre os fuman­tes nas capitais brasileiras redu­ziu em 36%, no período de 2006 a 2017. Nos últimos anos, a prevalência de fumantes caiu de 15,7%, em 2006, para 10,1% em 2017. Apesar da queda, o hábito de fumar ainda abrange um em cada dez brasileiros que vivem nas capitais do País e dá sinais de novo avanço em algumas faixas etárias, como entre jovens de 18 a 24 anos, cujo percentual de adeptos ao cigarro cresceu de 7,4%, em 2016, para 8,5% no último ano. Os novos números foram divulgados ontem.

“No cigarro ou em qualquer produto fumígeno há pelo menos 60 tipos diferentes de cancerígenos. O fumo é o único produto com causa e efeito totalmente comprovados com o câncer. E para essas substâncias não existem níveis mínimos tolerados”, reforçou o pneumologista do Real Hospital Português (RHP), Blancard Torres.

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O engenheiro Mauricio Souza, 30 anos, conseguiu evitar o consumo por quatro anos, mas recentemente teve recaída. “Estou até reduzindo um pouco. Mas acho que essa redução não traz benefício”, comentou. Ele garantiu que tem um planejamento de parar de fumar completamente em até um ano.

Blancard Torres comentou que o potencial maléfico do fumo é tão evidente que ao abolir o cigarro no hábito humano seria possível cortar em 30% todos os tipos de cânceres. Torres destacou que a multiplicidade de danos do tabaco perpassa não só o fumante, mas as pessoas que convivem, além do ambiente. “Dependendo da concentração e do tempo da exposição, o fumante passivo e o terciário ficam com as mesmas doenças pertinentes aos fumantes ativos.”

Ação
A Secretaria de Saúde do Recife promoverá hoje uma ação no Mercado do Cordeiro, Zona Oeste da Cidade, a partir das 14h. Redutores de Danos farão abordagem e sensibilização sobre os prejuízos causados pelo fumo.

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